Excesso de fibra na alimentação pode causar disbiose intestinal.

Hoje em dia, com essa guerra dos gurus dizendo o que comer e o que não comer, fica difícil saber se determinada alimentação nos faz bem. Um exemplo perfeito são as dietas ricas em fibras, como a crudívora, a frugívora e suas derivadas. Muitos adeptos dessas dietas vivenciam sintomas que não conseguem relacionar com o supercrescimento bacteriano no intestino, este causado devido à grande quantidade de fibras que consomem. Não estou dizendo que apenas essas pessoas desenvolvem disbiose, pois quem consome uma grande quantidade de alimentos farináceos também corre esse risco. Aliás, é muito mais fácil desenvolver disbiose em uma dieta de alimentos industrializados do que em uma dieta rica em frutas.

Disbiose intestinal é o desequilíbrio da flora intestinal. Ou seja: bactérias em excesso e situadas onde não devem. Fibras são uma classe de compostos de origem vegetal constituída sobretudo de polissacarídios e substâncias associadas. São exemplos de alimentos ricos em fibra: frutas, legumes, cereais, nozes, sementes, especiarias, ervas, etc.

Os sintomas mais associados à disbiose intestinal são: flatulência abdominal, excesso de gás, deficiências nutricionais, diarreia crônica, problemas de pele, prisão de ventre, dor abdominal e excesso de arroto.

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Um caso severo de flatulência causado pela disbiose.

Os problemas com a fibra começam a aparecer justamente quando existe um EXCESSO de fibra. A fibra, como qualquer outro tipo de alimento tem um papel importante na alimentação de um animal onívoro, como é o caso dos humanos, mas com o excesso o problema se instala.

Tudo começou com a industrialização/agricultura (que permitiu o consumo de alimentos fora de sua época) e o esquecimento dos ensinamentos antigos de preparo dos alimentos, principalmente dos carboidratos. Antigamente, muitas tribos sabiam que era preciso preparar os carboidratos antes de comer para evitar alguns problemas, já que os carboidratos têm um grande potencial para serem fermentados no intestino delgado (onde não deve haver fermentação). Esses preparos especiais são: deixar de molho, cozinhar e fermentar.

As frutas são os alimentos com maior quantidade de fibra, portanto, são as que mais têm o poder de fermentar e causar disbiose.

Antigamente, como descreve o Dr. Weston A. Price em seu livro Nutrition and Physical Degeneration, as tribos não encontravam grandes quantidade de frutas, por mais que quisessem. A manga, por exemplo, só era consumida na sua época, e o mesmo acontecia com todas as outras frutas. Assim, ninguém jamais conseguia exagerar na quantidade de fibra que comia. O resultado? Dentes e saúde perfeitos.

Aconselho a leitura do livro: Clique aqui para ler.

Aliás, um dos protocolos seguidos pelo Dr. Price para curar a cárie dentária era justamente diminuir a quantidade de carboidratos e junto a quantidade de fibra. Dessa maneira, evitava todos os problemas que o excesso de fibra causa, que eu vou explicar no decorrer deste artigo.

A fibra passa através do intestino delgado de forma muito rápida. Claro, o corpo sabe que o lugar da fibra é no cólon, onde vai ocorrer a fermentação e amolecimento da parede de celulose dos alimentos de origem vegetal, para que seja possível retirar os nutrientes de dentro da célula. Então, o corpo arrastará rapidamente toda a fibra em direção ao cólon, dessa forma, todo o resto dos alimentos que você consumiu junto às fibras passará também de forma rápida pelas vilosidades intestinais e não terá tempo suficiente para serem absorvidos. A maioria dos nutrientes dos alimentos são absorvidos através da parede do intestino delgado e isso leva tempo. Portanto, fica evidente que se o alimento viajar através do intestino delgado de forma muito rápida, ele será menos absorvido.

Um outro problema das dietas com excesso de fibra é que são dietas pobres em bile. Sim, a falta de bile também faz as bactérias crescerem onde não devem. Nessas dietas, o fígado produz pouca bile e quase nunca a usa para digerir o quimo (alimento parcialmente digerido), já que a vesícula só excreta bile no quimo quando detecta que este está ácido e possui gordura. Resumindo: geralmente, dietas ricas em fibra são dietas pobres em gordura.

Leia também: A vesícula biliar é mesmo importante para nós?

Um estudo sugeriu que os ácidos biliares (bile) além de solubilizar lipídios, também possui uma segunda função: inibir o crescimento de bactérias no intestino delgado.

“Inibir”. Fiquei muito feliz ao ver essa palavra no artigo do estudo, pois se dissessem “matar as bactérias”, já estaria errado. Continue lendo que você irá entender o porquê.

O intestino delgado humano é relativamente isento de micróbios em condições normais e tem uma elevada concentração de ácido biliar durante a digestão. Em cirrose do fígado em humanos e animais, por exemplo, a secreção de ácido biliar é diminuída e então ocorre a disbiose. Em animais, a ligadura proposital do ducto biliar também levou à disbiose no intestino delgado. Essa ligadura do ducto biliar em ratinhos causou um aumento de 10 vezes mais bactérias no intestino delgado!

As dietas ricas em fibras também não desenvolvem o ambiente ácido do estômago, levando a um pH alcalino ao longo do tempo. Sem a acidez estomacal, os patogênicos invasores, que vêm através da comida ingerida, conseguem sobreviver ao processo de digestão no estômago e então passam para o intestino, onde podem causar a disbiose. A baixa acidez estomacal também não fará a vesícula e o pâncreas trabalharem corretamente. Resumindo: a acidez estomacal mata/inibe microrganismos sensíveis aos ácidos, o bicarbonato de sódio, secretado pelo pâncreas (quando detectado um quimo ácido), mata/inibe os microrganismos sensíveis à alcalinidade, e em seguida, os sais biliares, excretados pela vesícula (quando detectado um quimo ácido e com gordura), mata/inibe os microrganismos sensíveis a esses sais.

Clique aqui e faça o teste para descobrir se você tem baixa acidez estomacal.

Essas bactérias, na verdade, são criadas pelo próprio corpo, através dos Somatides. Não quero entrar em detalhes a respeito do que são os somatides, pois eu já escrevi um artigo bastante extenso falando somente disso: Clique aqui para que seja possível você compreender o resto do artigo.

O que acontece é que o seu corpo, ao sentir que você está se alimentando com uma grande quantidade de fibra, precisa fazer algo para tirar o máximo de nutrição dessas células de celulose, e é então quando essas bactérias são criadas no intestino delgado, tornando-o uma verdadeira câmara de fermentação.

Como já mencionei, em uma pessoa saudável, o intestino delgado praticamente não tem bactérias, pois é lá onde os alimentos de origem animal são absorvidos, deixando o cólon para os alimentos de origem vegetal. O cólon, esse sim é por natureza uma câmara de fermentação, muito parecido com as dos animais herbívoros. Essa divisão permite que os esquimós sobrevivam apenas comendo gordura e proteína e algumas outras pessoas sobrevivam comendo uma dieta 100% vegetariana. Do ponto de vista evolucionário, está tem sido uma estratégia bem-sucedida.

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Sem essas bactérias, que naturalmente habitam o cólon, a extração de nutrientes de dentro das células de celulose das fibras se torna impossível, a não ser que você já tenha fermentado o alimento antes de comer. Quando fermentamos um alimento, deixamos que as bactérias que estão em sua superfície e no ar façam o trabalho que fariam dentro de você, no cólon. Essas bactérias amolecem a célula de celulose, facilitando o uso de seus nutrientes pelo próprio corpo, evitando até mesmo a criação de mais bactérias para fermentar o quimo com mais sucesso.

Está percebendo agora como a disbiose é um mecanismo de sobrevivência do corpo? Essas bactérias são criadas com o intuito de tirar o máximo de nutrientes das fibras. É uma questão de necessidade! Então, dessa forma, a fermentação começa no intestino delgado, onde não deveria ocorrer.

O maior problema, além dos sintomas desagradáveis, é que essas bactérias que não deveriam estar no intestino delgado, atrapalham a absorção de várias vitaminas e minerais, causando um quadro de desnutrição. Se não bastasse, as fibras em excesso também causam má absorção de alguns nutrientes.

A fibra pode influenciar negativamente na biodisponibilidade de vários minerais como o Cálcio, Zinco, Ferro e Magnésio, principalmente quando essas fibras estão associadas a fitatos, oxalatos e substâncias fenólicas.

Mas como eu disse logo no começo desse artigo, o segredo está na dosagem. É claro que se você estiver com algum sintoma de disbiose, você precisará cortar toda a fibra da sua alimentação e seguir a dieta descrita no livro do Dr. Weston A. Price. Gradativamente, seu organismo irá se acostumar com a nova alimentação e irá desfazer essas bactérias no intestino delgado.

Por experiência própria posso afirmar que não adianta apenas tomar: óleo de orégano, alicina, óleo de alho, óleo de hortelã-pimenta, inibidores de biofilme, etc. Só porque uma dezena de pessoas tomaram e conseguiram “curar”, não significa que seja a cura, pois, para cada dezena de pessoas que obtiveram sucesso, existem outras milhares de pessoas que não sentiram qualquer melhora.

Antibióticos também é perda de tempo e dinheiro. Podem até causar uma melhora inicial, mas é tudo temporário. Pois, como expliquei nesse artigo, o organismo cria essas bactérias por necessidade, portanto, não adianta “matar” as bactérias, pois elas serão criadas novamente.

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6 Respostas para “Excesso de fibra na alimentação pode causar disbiose intestinal.

  1. Mas e para as pessoas que não tem disbiose? Existem alguns pesquisadores naturopatas como os casos do doutor Gerson e do doutor Ehret que aconselham uma dieta rica em frutas para a cura de doenças graves como o câncer. O que você acha disso? obrigada por este artigo.

    • Olá Pamela.
      Conheço a fundo o trabalho dos dois.
      As dietas 100% cruas, consequentemente ricas em fibra, são o melhor caminho para curar o câncer, realmente. Apesar de que algumas pessoas também usaram com sucesso a carne crua nos protocolos de cura do câncer. O próprio Max Gerson usava fígado bovino em seus protocolos, teve que parar pela dificuldade em achar um fígado de qualidade.
      No caso do câncer, o corpo não precisa de nutrição, mas sim de desintoxicação e alcalinização, por isso as dietas cruas são tão boas. Mas como nem tudo é detox, às vezes não vai ser possível curar uma doença com os jejuns ou com as dietas cruas, tudo depende. O segredo é saber usar a alimentação a seu favor. Não é só porquê é natural que irá fazer bem, tudo depende das circunstâncias.
      No caso de uma pessoa que não tem disbiose, ela só deve achar o seu ponto de equilíbrio, já que ninguém é igual. Alguns vão se dar bem com bastante fibra e outros não.
      Até mais. 🙂

  2. Prezado Diórgenes,
    Primeiramente eu gostaria de parabenizá-lo pela excelente matéria, extremamente completa e esclarecedora.
    Há 18 meses venho sofrendo muito com os sintomas de disbiose, sintomas esses exatamente como descritos em sua matéria. Ao que tudo indica, num determinado momento, eu exagerei no consumo de fibras, além de ter exagerado também no consumo de adoçante à base de Sucralose, o qual eu não sabia que era uma bomba tóxica para nosso organismo. Aliado a isso, grandes cargas de estresse. Juntou tudo, e a disbiose me pegou de forma severa e crônica. Hoje tento de tudo e não consigo me livrar do problema. Os médicos, por sua vez, geralmente nem sequer sabem o que é disbiose. Sinceramente eu precisaria muito de uma ajuda profissional para me livrar deste terrível problema. Somente dietas, por si só, não me dão resultado. Muito agradecido pela oportunidade. Aguardo seus comentários. Abraços, Fred.

    • Olá, Fred. Muito obrigado pelo seu comentário.
      Realmente, os médicos ficam perdidos quando o assunto é disbiose, já chegam enfiando antibióticos goela abaixo do paciente. Como você viu a disbiose intestinal é causada pela falta de bile, ou seja, na verdade é um problema do fígado. Mande-me um e-mail caso você tiver interesse no meu acompanhamento para se livrar desse problema: contato@diorgenestochetto.com.br

      Até mais 🙂

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