Ortorexia: Distúrbio alimentar ou mais uma invenção da indústria da doença?

Se você, assim como eu, é apaixonado por nutrição e saúde, então já deve ter tomado conhecimento do termo ‘ortorexia’, recentemente criado, que tem causado um certo alvoroço. Será que é correto chamar essas pessoas de ‘ortoréxicas’? Será que você se enquadra nesse termo? Será que não é apenas mais uma manobra da indústria da doença? Então vamos lá…

O termo ortorexia tem origem grega – orthós significa correto, e ,orexsis, fome –, e foi criado pelo médico americano Steven Bratman, autor do livro Health Food Junkies (Viciados em Comida Saudável), publicado em 2001.

Segundo Bratman e toda a literatura encontrada, ortoréxica é a pessoa que apresenta uma fixação por alimentação saudável e chega a gastar horas pensando no assunto.

Pois bem, não há nada de errado em se preocupar com o que se come, especialmente hoje em dia, num mundo altamente industrializado. O problema é que a maioria das pessoas não entende suficientemente de nutrição e saúde, ou não conhece o próprio organismo e suas necessidades, e assim acabam cometendo muitos erros – até porque, em termos de nutrição, não existe verdade absoluta, e cada caso deve ser avaliado em suas especificidades.

O ideal seria não haver preocupação em relação à alimentação, simplesmente comer e pronto! É assim que fazem os animais selvagens. Mas, com a industrialização e a migração dos humanos para diferentes partes do mundo, surgiram inúmeras doenças, o que nos obrigou a aprender formas de curá-las. Dessa forma, quem quer viver com saúde, vê-se compelido a pensar em alimentação durante boa parte do dia.

O problema, com certeza, aparece quando a pessoa segue uma dieta errada para as suas necessidades nutricionais. A dieta se torna a sua essência e desistir significa fracasso, orgulho que se fere. Essas pessoas não desistem de suas crenças dietéticas, nem mesmo quando estão definhando, em estado de inanição.

Os conceitos usados pelos ortoréxicos são, na maioria das vezes, baseados em informações verdadeiras, mas que não sabem como interpretar, por falta de conhecimento e experiência. Apropriam-se da informação e aplicam de forma exagerada. Vou dar o exemplo do jejum: uma coisa é a pessoa jejuar esporadicamente, ou por um período um pouco mais longo (desde que saiba o que está fazendo). Outra coisa é passar meses jejuando e achar que isso está certo, e que a cura é só uma questão de fazer por mais tempo, ou levar mais a “sério”.

A ortorexia também atrapalha a vida social do indivíduo. Se você tem deixado de ir a eventos sociais, por saber que lá vai ter várias “porcarias” para comer, então você precisa repensar um pouco na sua dieta. Já somos escravos da sociedade, não seja escravo de você mesmo! Não faz sentido se privar tanto se você não estiver tentando curar uma doença grave.

A pessoa que sofre desse distúrbio também acaba inflando o ego. Acha-se mais importante do que as outras pessoas, por não comer comida “suja”. Muitas vezes atrapalha o próprio convívio familiar. Acredite: dá para ser saudável sem ser chato! rss

Portanto, a ortorexia pode se manifestar de várias formas:

– o indivíduo segue uma dieta errada para suas necessidades nutricionais; está desnutrido; compreende que precisa mudar, mas não sabe o que fazer.

– o indivíduo segue uma dieta errada para suas necessidades nutricionais; está desnutrido; acha que está passando por um momento de adequação à dieta; acha que está certo.

– o indivíduo segue uma dieta errada para suas necessidades nutricionais; está definhando; não irá mudar, mesmo se souber que está errado; a crença está acima de tudo; exemplo: veganismo.

Para todos esses casos é preciso procurar ajuda, mas a mudança, primeiramente, deverá partir do indivíduo, que deve aceitar que está errado e que precisa ser ajudado/orientado.

A pessoa que sofre de ortorexia deve ter bom senso e procurar um profissional de saúde/nutrição para orientá-lo. Não precisa queimar os neurônios e ficar obcecado(a) por viver de forma “limpa”. O indivíduo deve procurar um profissional que saiba lidar com tudo isso sem escolher um só lado e virar um evangelizador “daquela” dieta. Senão ele vai prejudicar o doente ainda mais.

Portanto, não há nada de errado em não querer comer conservantes, corantes, gorduras trans, agrotóxicos, pesticidas, transgênicos, entre outros. Ortorexia não é isso. Embora o termo seja novo, o distúrbio não é uma invenção da indústria da doença, e não levá-lo a sério pode trazer prejuízos à saúde, e, no extremo, provocar morte.

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